As Novas Conversas de Zé Aposentado e de Seu Ajuda

CONVERSA Nº 15

 As Eleições da Sistel e o que elas representam

 São dois amigos: Zé aposentado e Seu ajuda. Esse é o apelido deles. Não são tão jovens assim. Ambos trabalharam anos em telecomunicações e se aposentaram pela Fundação Sistel. Zé aposentado é do tipo descansado. Quer apenas o dinheirinho no banco, todo final do mês e ir ao médico quando precisa. Seu Ajuda é o preocupado. Vive acompanhando tudo que trata de aposentadoria e de plano de saúde.

 Foram doze conversas escritas de 13.02.2016 a 02.05.2016 que estão nos blogs da APAS RJ e do Aposentelecom. Em 2017, foram duas “Novas Conversas”, comemorativas dos 20 anos da APAS Rio. Agora em 2018, ai vai uma “Nova Velha Conversa” sobre as eleições na Fundação Sistel.

Seu AjudaBom dia, Zé. Já estamos em 2018!  Como o tempo passa.

Zé aposentado – É verdade. E a gente continuando a jogar conversa fora. Em 2016 tivemos doze conversas. Em 2017, apenas duas. Mas que duas! foram aquelas que trataram dos 20 anos da APAS Rio. Beleza pura.

.Seu Ajuda – E agora em 2018, vai ser mais beleza ainda. Vamos tratar das eleições.

Zé aposentado – Cruz, Credo! Benza-me Deus. Você está falando das eleições do Brasil?

Zé aposentado e seu Ajuda estão sentados na porta da casa do sítio que o primeiro tem lá para os lados de Petrópolis. Duas poltronas de palha, velhas mas confortáveis. De onde eles estão sentados dá para ver um riacho que corre ali por perto. Entre as poltronas,  uma mesinha meio velha e desbotada. Em cima da mesinha, um grande bule de café quente que eles vão tomando,, enquanto conversam..

 Seu Ajuda – Não, isso de eleição do Brasil, eu deixo para você.  Estou falando de outra eleição menor, mas que é muito significativa para nós.  Ela nos toca muito de perto. Nos toca a nós e à nossa família. É a eleição para o Conselho Deliberativo e Fiscal da Sistel.

Zé aposentado – Ah! que e nome bonito esse de Conselho D-e-l-i-b-e-r-a-t-i-v-o.

 Zé aposentado estica a pronúncia do nome D-e-l-i-b-e-r-a-t-i-v-o

 Seu Ajuda – O nome não é apenas bonito e sim é muito importante. Deliberar é decidir, é resolver, é considerar. Dou um exemplo. Você tem que decidir se vai, ou não, visitar os lençóis maranhenses. Sua neta se formou em turismo e a família quer festejar isso.

Zé aposentado – Lençóis maranhenses são aquelas peças de enxoval bordadas à mão no Maranhão?

Seu Ajuda – Deixa de fazer graça Zé. Me refiro àquelas dunas maravilhosas que ficam  a duas ou três centena de quilômetros da cidade de São Luiz, que já nos deu até um presidente do Brasil. No meu exemplo, você vai ter que decidir se vai para os lençóis ou se vai para Gramado, a terra do chocolate e do café colonial. Como é que você decidiria?

Zé aposentado – Eu não sou louco de decidir  isso sozinho Seu Ajuda, apesar de saber que acabo sempre fazendo aquilo que eu quero. Eu vou falar primeiro com a patroa, com os filhos e filhas, como genros e noras. Eu vou convocar uma reunião da família.

Seu Ajuda – É isso, você vai convocar um (empostando a voz)

Conselho Familiar. A palavra Conselho (em inglês council) sugere pessoas que se reúnem com uma finalidade. Há vários tipos de Conselhos. Na Grécia Antiga havia o Conselho de Anciãos que se chamava gerusia. Os 28 gerontes da gerusia atuavam como uma espécie de tribunal. Tinham um poder supremo.

Zé aposentado – Como você sabe de coisas, Seu Ajuda! A palavra gerente parece com geronte, não é?

Seu Ajuda – Pode até ser. Conselho não uma é questão de idade. O sistema FIRJAN tem o seu  Conselho de Jovens Empreendedores. Como eu disse, há vários tipos de Conselhos. No mundo dos negócios, por exemplo, há o famoso Conselho de Administração.

Zé aposentado – Conselho de Administração é aquele órgão que parece que está dormindo e quando nos damos conta anuncia decisões importantes que podem mudar toda a nossa vida?

Seu Ajuda – É esse mesmo. O importante é acompanhar a movimentação dos Conselhos de Administração. Depois que ele tomam uma decisão, revertê-la pode custar muito trabalho e dinheiro. O Poder é assim. Mas vamos voltar ao nosso Conselho Familiar afim de ver se a sua família iria aos lençóis maranhenses ou ao café colonial.

Zé aposentado – Por falar em café colonial, aceita mais um amanteigadinho de Petrópolis Seu Ajuda?

Seu Ajuda e Zé aposentado comem um biscoitinho, bebem mais um  cafezinho e a conversa continua animada. Quem fala é Zé aposentado.  

Zé aposentado – A  reunião da família que você chamou de Conselho Familiar, na nossa família não é uma bagunça. Toda reunião na minha família tem regras ditadas pela tradição. Regra primeira:todos podem falar, os mais jovens antes. Regra segunda; os assuntos mais importantes precisam ser votados. Os votos meu e da Zefa, minha mulher que você conhece, têm peso maior. Pelas regras do jogo, a gente nunca pode perder.

Seu Ajuda – Nunca pode perder ?

Zé aposentado (num tom matreiro) – Não. Fomo nós que fizemos as regras (risos). Elas seriam assim como uma espécie de Estatuto de alguns lugares de que você fala (mais risos).

Seu Ajuda – E o Estatuto nunca muda?

 Zé aposentado – Muda.  Estatuto muda quando as circunstâncias mudam. O importante é não perder, como diz aquele nosso ex-presidente lá de São Luiz, o Poder.

Seu Ajuda – Como você consegue aprovar a mudança do que você chamou Estatuto ?

 Zé aposentado (matreiro) –  Sempre com jeitinho. Aí que reside a arte de convencer.

Seu Ajuda – Teve um administrador em Florença, na Itália da Renascença, que chamava isso de virtu (virtude). Você sabe quem foi ?

 Zé aposentado ­– agora o Sr. me ofendeu Seu Ajuda, claro que sei, mas ele não era de Florença. Eu acho que ele era de Brasília …

Segue-se um longo silêncio e ambos ficam pensativos. Quem quebra primeiro o mal estar é Seu Ajuda.

 Seu Ajuda – Acho Zé que  podemos voltar ao tema das eleições para os Conselhos Deliberativos e Fiscal da Sistel. E por falar em Estatuto que é o documento organizacional de constituição e funcionamento da Sistel, houve nele uma mudança recente aprovada devidamente pela Previc..  .

Zé aposentado ­– Eu não falei que Estatuto muda. Qual foi a mudança?

Seu Ajuda – Desde junho de 2017, o representante das patrocinadoras nos Conselhos não precisa mais ter 1 ano de vínculo empregatício ou estatutário com a patrocinadora que o indicar.

Zé aposentado ­–  Isso é o detalhe do detalhe. E quem é que mora nos detalhes?

Seu Ajuda – Deixa de ser maldoso Zé. Deixa pr’a lá. Melhor é tratar das eleições que escolhem os membros para os Conselhos Deliberativos e Fiscal da Sisel que são órgãos estatutários.

Zé aposentado ­– Isso eu sei, né? órgãos estatutários são aqueles que o Estatuto “atualizado”  diz que são..

Seu Ajuda – Já que você é tão sabichão qual a composição do Conselho Deliberativo da Sistel?

Zé aposentado ­– Chi! eu deveria saber, mas não me lembro.

Seu Ajuda – É importante saber isso Zé.  São doze membros que compõem o Conselho Deliberativo. Oito membros representam as patrocinadoras e quatro os participantes e assistidos.

Zé aposentado ­– Me explica isso melhor, Seu Ajuda.

Seu Ajuda – Em termos rápidos. São oito representantes das antigas Telerj, Telesp, etc… com nomes novos e quatro representantes  dos aposentados e empregados, como eu e você. 

Zé aposentado ­– Então. as regras do jogo para aprovação das decisões nesse Conselho Deliberativo é como na minha reunião de família, na qual eu e Zefa sabemos que nunca iremos perder?

Seu Ajuda – É um pouco isso Zé. São preciso sete votos. afirmativos para aprovar qualquer coisa no Conselho. As patrocinadoras, unidas como um quase bloco,  não têm possibilidade de perder e podem ganhar mesmo que todos os representantes dos assistidos sejam contra.

Zé aposentado ­– Então nosso representantes, com quatro votos, nunca vão impor ou deter nada que a turma dos oito votos não queira?

Seu Ajuda – Não, vão. È um regrão básico. Falando bonito “a representatividade dos assistidos no Conselho Deliberativo da Sistel é completamente assimétrica, em favor das patrocinadoras”..

A constatação deixa Zé Aposentado de garganta seca. Ele pede que a Zefa, que esteve o tempo todo zanzando por ali e meio que de ouvido na conversa, que lhes traga a garrafa de conhaque que o casal reserva para as grandes ocasiões. Todos tomam um bom trago de conhaque  e a conversa vai adiante animada.

 Zé aposentado ­– Então nosso representantes, com quatro votos, nunca vão apitar nada? Para que ter eleição? Apenas para nosso representantes validarem as decisões tomadas pelas patrocinadoras?

Seu Ajuda – Vamos ser realistas, Zé Se não tivéssemos nossos representantes lá no Conselho, ainda que minoritários e não paritários, a situação seria mil vezes pior. A começar que os assistidos não saberiam oficialmente, em primeira mão, o que está sendo tramado em relação a nosso patrimônio. Na outra mão,  o Conselho não saberia “ao vivo e a cores” o que querem e como reagem os assistidos falando em nome de seus representantes.

Zé aposentado ­– Fiquei com uma dúvida Seu Ajuda. Qualquer um pode ser candidato a representante dos participantes e dos assistidos no Conselho.Deliberativo da Sistel?

Seu Ajuda – Cumpridas as exigências estatutárias, a rigor, sim. Cumpridas as exigências, qualquer um pode ser, em tese, Presidente da República ou até mesmo Papa.  Mas é preciso ter certas qualidades.

Zé aposentado ­– Que  qualidades são essas? Não ter sofrido condenação criminal transitada em julgado?

Seu Ajuda – É muito mais do que isso, Zé; Os assuntos de que tratam os Conselhos Deliberativo e Fiscal da Fundação são complexos. É um belo entrelaçado de temas financeiros, jurídicos, administrativos e de atuária, dentre outros. Quem é conselheiro precisa ter um mínimo de pensar lógico e de conhecimentos específicos para destrinchar tais assuntos.

Zé aposentado ­– Para não ser engolido pelos acontecimentos?

Seu Ajuda – Sem dúvida, para não ser engolido pelos acontecimento. Mas precisa ainda ter outras qualidades. A Fundação Sistel, em termos simples, são duas coisas. Um montão de dinheiro e uma missão social importante. Os grandes interesses sabem cooptar pessoas e essas pessoas chegam a esquecer sua missão social.    .

Zé aposentado ­– Não precisa dizer mais nada Seu Ajuda. Exemplos disso, pelos tempos que correm, não faltam. Mais alguma outra qualidade?.

Seu Ajuda – Ah! meu amigo são tantas .. Um conselheiro para representar os assistidos tem que ser arguto. Tem que atender e não esquecer suas bases. Tem que ser aguerrido. Tem que saber ser minoritário. Enfim, tem que ser político … .

Zé aposentado (repetindocom ênfase) ­– Tem que ser político, mas Político com “P” maiúsculo e não com “p” minúsculo, como encontrado em oportunista.

Seu Ajuda (filosofando)–  A situação perfeita não existe, Zé.  O novo mandato para os Conselhos Deliberativo e Fiscal irá de 20 de abril de 2018 até 20 de abril de 2021. Como dizem os italianos — novamente eles — Chi vivrà vedrà.  Quem viver, verá.  .

Fonte:  Jornalista Fonseca em 03.03.2018