Leia, a seguir, a entrevista do candidato ao CF da Sistel, Sergio Ellery Girão Barroso, apoiado pela APAS-RJ, concedida ao jornalista João Carlos Fonseca.
J.C.FONSECA – Poderia nos dar seu nome e atual posição
Girão - Meu nome é Sérgio Ellery Girão Barroso. Sou engenheiro eletrônico, formado em 1966 pelo Instituto de Tecnologia da Aeronáutica – ITA, atuário (2003) e estatístico (2005) formado pela UFRJ. Atualmente, sou membro do Conselho Fiscal da Fundação Sistel de Seguridade Social (SISTEL). Meu mandato, iniciado em 2012, expira em 2015. Sou candidato a um novo mandato.
J.C.FONSECA – Fale-nos um pouco de seu passado acadêmico
Girão- Sou natural de Fortaleza, no Ceará. Fiz mestrado em Pesquisa Operacional no ITA, em 1969. Fui professor daquele estabelecimento de ensino superior, em cursos de Pesquisa Operacional, Probabilidade e Estatística.
J.C.FONSECA – Um pouco de sua vida profissional.
Girão – Em 1973, me transferi para a Companhia Telefônica Brasileira – CTB, que acabou virando Telecomunicações do Estado do Rio de Janeiro –Telerj e onde permaneci até 1998, depois da privatização.
J.C.FONSECA – Sua atuação na Telerj.
Girão – Iniciei como engenheiro no Departamento de Processamento de Dados, na Gerência de Pesquisa Operacional, encarregada, à época, de desenvolver sistemas de otimização para telecomunicações. Basicamente, fiquei nessa área, a que fui acrescentando trabalhos de estatística.
J.C.FONSECA – O Sr. se sente à vontade em dados econômicos e financeiros?
Girão - Sinto-me bem à vontade, exatamente. E também em atuária que é um item muito importante para analisar o comportamento e desempenho da Sistel.
J.C.FONSECA – Sua gestão no Conselho Fiscal da Sistel.
Girão – Além de participar da fiscalização dos elementos puramente contábeis, eu achei por bem entrar no mérito da parte atuarial da Sistel. Fazia falta no Conselho Fiscal alguém que entendesse de estatística e atuária, que são dois elementos fundamentais no funcionamento da Sistel.
J.C.FONSECA – O plano PBS-A dos aposentados da Telerj é de Benefício Definido?
Girão – Isso é bom para o assistido Ele cria um comprometimento maior da Sistel, que passa a ter uma responsabilidade explícita a respeito de rentabilidade, algo que em Planos de Contribuição Definida normalmente não existe de forma tão forte.
J.C.FONSECA – O Conselho Fiscal da Sistel tem muita responsabilidade?
Girão – Tem. Ele deve julgar a parte contábil e, no meu entender, também as partes estatísticas e atuariais da Fundação.
J.C.FONSECA – Ser do Conselho Fiscal é um cargo político?
Girão – É um cargo principalmente técnico, de grande responsabilidade.
J.C.FONSECA – Que dados o Conselho Fiscal utiliza?
Girão – No caso da Sistel, são dados financeiros que têm uma transparência razoável e os dados e análises estatísticas e atuariais que, em minha opinião, não apresentam o mesmo nível de transparência.
J.C.FONSECA – Depois de reeleito, o que pretende fazer?
Girão – Pretendo dar continuidade ao trabalho que venho empreendendo, solicitando explicações sobre a parte atuarial e sobre a parte estatística, além da área financeira e previdencial.
J.C.FONSECA – O que está acontecendo com nosso Plano de Saúde?
Girão – O Plano de Saúde é algo fundamental para nós. Há, todavia, várias dúvidas sobre a qualidade das informações do Plano de Saúde. Estamos trabalhando para vê-las esclarecidas.
J.C.FONSECA – Nosso Plano de Previdência.
Girão – Também há dúvidas quanto a escolha de alguns de seus parâmetros. A questão foi levantada e não foi ainda totalmente resolvida pela Sistel.
J.C.FONSECA – Poderia explicar mais.
Girão – A Sistel está utilizando tábuas de mortalidade – um instrumento importante em atuária – que não são totalmente justificadas.
J.C.FONSECA – Há paridade no Conselho Fiscal?
Girão – São dois representantes dos assistidos e quatro das patrocinadoras. Todavia, o Conselho Fiscal, por ser um órgão mais técnico e menos político, exibe uma colaboração muito maior entre seus membros, o que não sucede, por exemplo, no Conselho Deliberativo.
J.C.FONSECA – Que razões o levaram a se candidatar ao Conselho Fiscal?
Girão – Basicamente, para defender os interesses dos Participantes e dos Assistidos junto à Sistel. Da minha parte, pelo menos, com um foco maior na parte estatística e atuarial.
J.C.FONSECA – A parte estatística e atuarial é importante?
Girão – Sim. Dependendo da escolha dos parâmetros pode se decidir, por exemplo, se haverá, ou não, superávit.
J.C.FONSECA – Tudo isso não é muito teórico?
Girão- São mecanismos por vezes sutis e nem por isso de efeitos menos contundentes. No caso do PAMA e do PAMA-PCE, a questão é a de seu financiamento, o que tem a ver com a tábua de mortalidade adotada.
J.C.FONSECA – O Conselho Fiscal tem seus pedidos atendidos pela Sistel?
Girão – Em alguns casos, sim em outros, não. Vamos continuar insistindo.
J.C.FONSECA – Desculpe a pergunta, o Sr. entende de atuária? .
Girão – Ao longo de minha vida profissional fui obrigado a aprender atuária, que hoje exerço profissionalmente. Participei durante dez anos da equipe da Telos, que é a Fundação de Previdência dos empregados da Embratel,e cuja alteração de plano, ao final dos anos 80, serviu de modelo para a proposta de PRV da Sistel, elaborada em 1989, cuja adaptação levou à atual versão do PBS.
J.C.FONSECA – Algo mais?
Girão – Muito Obrigado.