Os rendimentos da renda fixa cairam e, diante disso, a solução é diversificar e correr mais risco. A receita é esta e sobre a direção a seguir não existe propriamente discussão. Mas, restam algumas dúvidas como, por exemplo o ritmo em que se deve caminhar. Para Marcelo Nazareth, Diretor da NetQuant, empresa que oferece ferramentas analíticas para sustentação de decisões de investimentos, o cenário atual é “tão nebuloso”, que não se recomenda assumir nesse momento maiores riscos. Enfim, o caminho é esse, mas passos maiores devem ser evitados nas circunstâncias atuais. Já François Racicot, líder em consultoria em investimentos da Mercer, nota que os brasileiros devem ficar atentos ao crescimento das aplicações no exterior por parte de fundos de pensão de vários países.
Nazareth define como “consolidação de uma tendência iniciada em 2012” os investimentos que os fundos de pensão brasileiros estão fazendo preferencialmente em renda variável descolada dos principais índices da BM&FBOVESPA. “Alocação de recursos em fundos de small caps e de dividendos, entre outros, consolida uma opção feita no ano passado”, nota Nazareth, que no entanto recomenda a partir de agora esperar mais até a neblina dissipar um pouco.
Já Racicot, da Mercer, chama a atenção para outro aspecto: “O olhar para o exterior está crescendo”. Ele observa que entre as vantagens de investir fora das fronteiras do país está não apenas a diversificação em si, mas também a menor correlação com a bolsa brasileira, uma vez que o pregão brasileiro nem sempre está automaticamente alinhado ao movimento das bolsas globais.
Racicot nota que no final do ano passado os investimentos dos fundos de pensão (AFPs) chilenos no exterior já alcançou 38% dos ativos totais, sendo 11% em renda fixa (com foco nas taxas mais altas pagas pelos países emergentes) e 27% em variável. Claro, trata-se de um sistema de previdência complementar que atingiu um tamanho desproporcionalmente grande na comparação com a dimensão modesta da economia, mas mesmo assim um percentual tão avantajado de ativos alocados no estrangeiro ainda surpreende. Dentro do Chile, o forte dos investimentos está canalizado para a renda fixa (45%) local, ficando as ações com não mais de 15%.
O Canadá, assinala Racicot, um país que a exemplo do Brasil tem uma bolsa com negócios bastante concentrada em poucas empresas e setores, oferece aos brasileiros um outro tipo de exemplo. Os investimentos no exterior já alcançam 28% do total dos ativos, sendo 26% na renda variável e 2% na fixa, e as alocações alternativas já alcançam 23%, distribuídos entre private equity, infra estrutura e muito em imóveis.
Na Inglaterra, 28% dos ativos estão no estrangeiro. E mesmo num país de economia forte, como os EUA, os fundos de pensão têm 14% dos recursos no exterior, quase tudo (13%) em renda variável. A questão dos investimentos no exterior será um tema de uma das plenárias do Seminário de Previdência Privada da Mercer, marcado para o próximo dia 8, das 8h30 às 17h30 no Grand Hyatt, em São Paulo. Conduzida por Carolina Wanderley, consultora sênior de Previdência, e por François Racicot, líder da área de investimentos, a plenária promete oferecer reflexões úteis sobre os atuais cenários.
Fonte: Diário dos Fundos de Pensão (2/5/2013)